Geral
Solange Maria Baldim Márquez deixa a direção da Escola Sesi após 38 anos de serviços prestados à instituição

A Escola do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) é uma das maiores redes de ensino particular do país. Composta por 161 unidades, presente em 112 municípios do Estado, o Sesi é sinônimo de qualidade de ensino em todos os aspectos, desde de a estrutura física do prédio até ao material didático trabalhado com os alunos e professores.
Acessível para os filhos dos trabalhadores e para os próprios trabalhadores da indústria do Estado de São Paulo, a Rede Escolar Sesi está presente na vida de seus estudantes em todas as fases dos ensinos Fundamental e Médio.
Em Osvaldo Cruz, a escola Sesi é a pioneira da Rede Particular de Ensino além de ser uma das escolas mais antigas da cidade (englobando de modo geral – incluindo as escolas públicas). Em atividade no município desde 30 de agosto de 1966, a Rede de Ensino Sesi começou a funcionar em Osvaldo Cruz no ano em que a cidade comemorava seu Jubileu de Prata (25 anos), em um prédio cedido pela Prefeitura. De lá para cá, a escola cresceu muito e, desde 2013, atende em prédio próprio, muito mais amplo, com estrutura moderna que oferece conforto e qualidade de vida. Hoje, a escola atende aproximadamente 350 alunos entre os ensinos Fundamental e Médio.
Neste mês, devido à pandemia do novo coronavírus, a unidade da escola Sesi de Osvaldo Cruz, que esteve sob a direção da professora Solange Maria Baldim Marquez desde 1996, passa por uma de suas maiores mudanças em plena quarentena: a troca de direção.
Formada em Pedagogia, com pós-graduação em Gestão Educacional pela UNESP de Presidente Prudente e MBA em Gestão Empreendedora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, a professora Solange Maria Baldim Marquez, de 57 anos, dá lugar ao também professor Alicio José de Souza Filho, de 51 anos, que é formado em Estudos Sociais (FAI-1990), Geografia (FAI-1991), Pedagogia (Faculdade Reges-2000) e possui Especialização em Psicopedagogia (FACCAT-2005) e pós-graduação em Gestão Educacional (UNESP de Presidente Prudente-2010).
Casada com Wilson Marquez, Solange é mãe de três filhos (Fernanda, Rafael e Carla) e avó de seis netos (Lara, Murilo, Gabriela, Isabela, Helena e Luísa).
Ainda emocionada por encerrar um ciclo com a escola Sesi de quase 40 anos, em entrevista exclusiva ao Jornal Cidade Aberta (JCA), Solange afirma que o momento não é de tristeza, pois, em suas palavras, “tive a oportunidade de conhecer e conviver com uma equipe maravilhosa, competente e leal. Esse privilégio ninguém vai me tirar, o que vivemos estará sempre guardado no meu coração e na minha memória”.
Jornal Cidade Aberta – A senhora está na direção da unidade da Escola Sesi de Osvaldo Cruz desde 1996. Faça um breve relato de sua carreira profissional dentro da Escola Sesi.
Solange Maria Baldim Marquez – Iniciei minha carreira na Educação em 1982 na Rede Escolar Sesi como secretária com as unções de organizar a vida escolar dos alunos, área de grande responsabilidade, são documentos que devem estar com lisura absoluta pois pode ser solicitado a qualquer momento pelo aluno, independente da idade que tenha. São arquivos que ficam disponíveis para serem consultados a qualquer tempo, por isso exigem responsabilidade e organização. Já casada e com três filhos, voltei a estudar para que pudesse ministrar aulas. Fiz então o magistério na Escola Benjamin Constant e depois a graduação em Pedagogia na Faculdade de Adamantina, não teria conseguido sem a ajuda da minha família que sempre me apoiou para dar continuidade à minha formação. Já graduada, assumi uma classe na Escola Sesi para alunos do Ensino Fundamental – séries iniciais. Em ambas as funções sempre tive gestores muito competentes e que incentivaram minha carreira para a gestão porque sempre foi uma área que me identifiquei. Gosto de estar à frente de projetos, inovação, desafios, acredito que a gestão nos dá essa oportunidade, contagia e nos motiva a buscar sempre a excelência. Quem me conhece sabe que meu lema é “Se está bom, pode ficar melhor” e sendo assim, vamos nos desafiando e superando os obstáculos. Em 1996 com a aposentadoria da diretora do Sesi na época a professora Adma Saab Rodrigues da Silva, assumi a vaga de diretora da escola e já se passaram 26 anos na gestão da escola e 38 anos de serviços prestados à Instituição Sesi. Como gestora da Escola Sesi de Osvaldo Cruz, enfrentamos (eu e a equipe) inúmeros desafios para chegarmos até o Sesi de hoje, mas nunca desistimos. As dificuldades sempre foram molas propulsoras para a superação, para a busca de soluções e isso é o que nos motiva diariamente. Acredito que seja por isso que não percebi o tempo passar, mas passou e rápido demais. O tempo passou, mas o amor pela minha profissão só aumenta, a cada dia busco meios para fazer do ambiente escolar um lugar de acolhimento, companheirismo e harmonia. Acredito que escola seja isso, um lugar de todos e para todos.
JCA – Qual a razão de sua saída da direção da unidade da Escola Sesi de Osvaldo Cruz?
Solange – O Sesi nos últimos anos têm perdido receita em função de muitas mudanças na legislação tributária, especialmente no setor industrial. Com a pandemia do Covid-19, houve uma redução de 50% no repasse das contribuições ao Sistema S e o desemprego nos setor industrial, tudo isso contribuiu para o impacto financeiro na Instituição. Sendo assim, medidas de redução de custos precisaram ser tomadas e dentre elas a redução dos diretores de escola. Nas cidades de todo estado, que tem duas escolas Sesi haverá somente um diretor de escola (a legislação permite isso). Na nossa região, isso aconteceu na cidade de Presidente Prudente. Como critério de escolha para saber quem seria desligado foi utilizado o tempo de serviço e os aposentados, assim essas vagas foram destinadas aos diretores que perderam suas escolas. Por isso houve meu desligamento, e eu considero que o critério tenha sido justo.
JCA – Quem assume a direção da Escola Sesi com a sua saída?
Solange – Com as novas diretrizes da Instituição, o diretor que assume a Escola Sesi de Osvaldo Cruz, é o professor Alício José de Souza filho. Ele já trabalhou conosco como professor e coordenador pedagógico. Depois passou por processo seletivo e assumiu a vaga de diretor de escola em Presidente Prudente em 2015. Agora, felizmente, volta para Osvaldo Cruz como diretor. Para nós é motivo de muita alegria porque ele já conhece a equipe, a escola, a comunidade de pais e alunos. Isso contribuiu para que as diretrizes e a cultura da escola seja preservada.
JCA – Qual a sua maior alegria enquanto diretora da Escola Sesi?
Solange – Acredito que ver um aluno seguir o caminho da retidão. Formado com princípios éticos, independente da profissão que tenha escolhido. Porque essa é nossa função, o aluno entra na escola com seis anos e fica conosco até o final do ensino médio, o que equivale a 12 anos de convivência. A escola tem o dever de fazer a diferença da vida desse aluno. Ele precisa sair muito melhor e mais competente de quando entrou e também temos um dever social com nosso País.
JCA – Qual o seu maior lamento enquanto diretora da Escola Sesi?
Solange – Quando realizamos nosso trabalho por missão e não por obrigação, acredito que não temos do que nos lamentar. Comigo foi assim e continuará sendo enquanto eu puder contribuir na formação de pessoas.
JCA – Quais são os seus planos profissionais agora não mais diretora da Escola Sesi?
Solange – Quando o Sesi iniciou em 2001 o processo de fechamento gradativo porque tínhamos um número reduzido de alunos da Indústria, a equipe escolar naquela época decidiu abrir uma Escola para que quando o SESI fechasse todos pudessem continuar trabalhando. Transformamos uma dificuldade em oportunidade. Em 2006 o Sesi foi reativado e nós continuamos com as duas escolas. Durante muitos anos estive como gestora do Sesi e do Colégio Cooperativo, com uma carga diária de trabalho de 12 a 13 horas. Agora minha dedicação será 100% para o Colégio Cooperativo. Uma escola da qual tenho muito orgulho de ter visto nascer, crescer e como gestora agora em tempo integral, temos muitas ideias e projetos para colocar em prática. O Colégio Cooperativo é hoje referência em Educação não só em Osvaldo Cruz, mas na região. Com mais tempo disponível, poderei retomar projetos que estavam guardados para o momento oportuno e 2021 já está sendo planejado.
JCA – Que mensagem a senhora deixa aos alunos, aos pais, aos professores e colaboradores da Escola Sesi com a sua saída?
Solange – Para a equipe tenho a dizer que não posso sentir tristeza nesse momento, sabe por quê? Por que tive a oportunidade de conhecer e conviver com uma equipe maravilhosa, competente e leal. Esse privilégio ninguém vai me tirar, o que vivemos estará sempre guardado no meu coração e na minha memória. Quero agradecer a todos, indistintamente pelo apoio que sempre recebi durante todos esses anos. Com certeza não teria conseguido sem vocês. E assim devem continuar, porque somente com união, lealdade, comprometimento e coragem é possível superar as dificuldades e que podemos fazer os momentos difíceis se tornarem mais leves, tudo depende do nosso ponto de vista e das nossas atitudes, E sempre foi assim em nossa escola, nos momentos difíceis sempre nos apoiamos e buscamos o caminho mais leve para transitar. Aos pais e alunos tenho muita gratidão a todos vocês, alunos que são minha alegria diária e carregam minhas energias diariamente e estarão todos no meu coração, aos pais pela confiança no meu trabalho e por todas as vezes que atenderam nosso chamado para que o melhor fosse feito por nossas crianças e adolescentes. Peço a todos vocês que recebam o novo diretor da escola com o mesmo respeito e carinho que tiveram por mim. Uma escola forte se faz com parceria, trabalho em equipe de todos (pais, alunos, professores e funcionários). Eu, depois de 38 anos vou cuidar de mim, da minha família e de realizar sonhos que estavam sendo guardados para o momento oportuno.
Alessandro Ferreira da Costa
